A SÓS COM OS OUTROS
Não te creias a sós, embrulhando os sonhos que acalentavas nos pesados tecidos da revolta.
Não te creias a sós, embrulhando os sonhos que acalentavas nos pesados tecidos da revolta.
Há tantos solitários que não se resolvem a arrebentar as amarras do egoísmo para serem úteis a alguém!...
O lago plácido e sonhador, que reflete o céu de astros pulverizado qual espelho precioso, desfaz-se ante o batráquio que nele se arremessa, apagando a ilusão da beleza.
Desejarias felicidade contemplativa cercado de carinhos, inútil, refletindo sonhos impossíveis.
No entanto, enquanto te crês solitário e triste, frustrado nos anseios que acalentavas, perdes os olhos nas tintas carregadas do pessimismo e não vês aqueles olhos que te fitam inquietos, desejando acercar-se de ti, sem oportunidade de fazê-lo.
A semente, que se sente desventurada numa arca de mogno e bronze valiosos, desdobra-se em bênçãos para muitos quando acolhida pelo solo que lhe oferece destino.
A água morta entre sombras alimenta a vida, se vai depurada. O monturo desprezível enriquece-se de perfume quando agasalho os bulbos do lírio. O coração ao teu lado, na vida diária, é a sublime meta da tua oportunidade no corpo. Mata a solidão, asfixiando-a nos tecidos leves da cordialidade para com os outros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário