FELICIDADE, ONDE ESTÁ?
Sá de Freitas
Como encontrar você, felicidade,
Se já andei inúmeras distâncias,
Se já corri sertões, sítios, estâncias,
Estados, vilas, capitais, cidades...
Se já adentrei mansões, ranchos, casebres;
Se já falei com com humildes, poderosos,
Analfabetos, doutos, sábios, tolos
E não achei você?
Será você apenas fantasia,
Lenda, folclore, sátira, utopia,
Que não consigo sentir, tão pouco ver?
Por que só enxergo marcas mal traçadas
Que você deixa, num passar de enganos,
Quando assume as mais variadas formas
No pensamento humano?
Por que chega, qual sombra, para aqueles
Que vêem você só no dinheiro ou fama,
No seguro de um emprego bem rentável, na farta mesa e na boa cama;
No poder, prestígio, autoridade, gozo,
Carros, jóias, iate, palacete,
Sexo, beleza, viagens festas
E outras tantas coisas transitórias
Que fazem parte da vida,
Mas não nos levam à vida?
Acontece que quando penso tê-la encontrado,
Você some quando vejo pedintes e desempregados;
Cegos, mudos e tantos sofredores
Ao relento, com frio, esfomeados;
Quando contemplo doentes, órfãos tristes,
Viciados, prostitutas, traficantes;
Quando sei de vítimas de assassinos, ladrões, degenerados;
De corruptos, de injustiça e podridões;
Quando vejo pais que se expõem desesperados,
Por um litro de leite ou por um pão
E são presos, condenados, sem defesa.
Onde é que está então fugaz espectro?
Aqui, ali ou além do alcance meu?
Ou será que você, que tanto busco,
Está na dor que sinto em meu silêncio,
Ao sofrer com os que sofrem mais que eu?
Ah! Escutei você rindo agora no meu coração,
Porque estendi as mãos para aquele coitado,
Caído no chão.
Agora sei onde encontrar você...
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Felicidade é, que quando mesmo diante de todas as desgraças da vida, ainda assim, nos sentimos fortes e felizes em ajudar ao próximo.
E. M.
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